Considerando que as discussões relacionadas à produtividade e à competividade brasileira são de grande importância para as empresas e colaboradores, elas têm despertado também, o interesse de pesquisadores das diversas áreas de economia, como estratégia, gestão de operações e demais estudos organizacionais. Segundo Lafuente e Szerb (2021), as discussões sobre este tema se tornam ainda mais relevantes, em um contexto que de forma cada vez mais complexa, se observa no ambiente econômico, uma constante luta empresarial para se determinar a seleção de medidas que avaliam efetivamente, o grau de alcance dos objetivos organizacionais.

Em termos mundiais, Wood Jr. e Caldas (2007) acreditam que embora o Brasil seja considerado uma das maiores economias do mundo, nas últimas décadas o seu desempenho econômico tem sido descrito por alguns analistas como modesto e trôpego. De fato, Ferreira (2015) e Goitia (2019), trazem dados muito preocupantes: o trabalhador brasileiro produz, em média, somente um quarto do que produz um trabalhador americano (FERREIRA, 2015). Complementando esse raciocínio, Goitia (2019), informa que, enquanto o trabalhador brasileiro leva uma hora para fazer um produto ou serviço, o trabalhador norte-americano consegue fazer a mesma coisa em 15 minutos e um alemão ou coreano em 20 minutos. Em termos de riqueza, o Brasil produz em uma hora o equivalente a US$ 16,75, valor que corresponde apenas a 25% do que é produzido nos EUA (US$ 67). Comparado a outros países, como Noruega (US$ 75), Luxemburgo (US$ 73) e Suíça (US$ 70), o desempenho do país é ainda pior (GOITIA, 2019).


A boa notícia, é que essa baixa produtividade não se aplica à preguiça do trabalhador brasileiro, mas a alguns fatores, explicitados por Ferreira (2015):  O primeiro deles, é que os nossos trabalhadores são menos educados e menos qualificados (isto é, possuem um menor "capital humano"). O segundo, é que esses trabalhadores têm a seu dispor menos máquinas, equipamentos, estruturas e infraestrutura (isto é, possuem menos "capital físico"). O terceiro, mas não menos importante, é que a ineficiência da economia é tal que trabalhadores com mesmo capital humano e físico que trabalhadores em países avançados, produzem menos que estes últimos, o que deixa evidente, a existência de uma forte ineficiência produtiva.

Dados do Relatório da Confederação Nacional das Indústrias (CNI, 2020), sobre Competitividade Brasil 2019-2020, mostram que o Brasil continua em penúltimo lugar no ranking geral, entre18 economias selecionadas e que o Custo Brasil é considerado um dos maiores desafios do país e, em especial, da indústria brasileira. A Figura 1, traz uma síntese da colocação do Brasil, quando comparado com as demais economias.
 
Figura 1 - Posição competitiva dos 18 países selecionados

Espera-se, que as discussões aqui apresentadas sirvam de base para que as comunidades acadêmicas e empresarial analisem mais criticamente sobre os fatores que tanto afetam negativamente a produtividade e a competitividade brasileira.
 
Referências
CAMPOS, V. F . TQC Controle da qualidade total no estilo japonês – 9ª Edição. Editora Falconi, 2014.
 
CNI – Confederação Nacional da Indústria. Competitividade Brasil 2019-2020. Brasília: CNI, 2020.Disponível em:<
https://static.portaldaindustria.com.br/media/filer_public/ca/fc/cafc2274-9785-40db-934d-d1248a64dd94/competitividadebrasil_2019-2020_v1.pdf>. Acesso em: 20 set., 2021.
 
FERREIRA, P. C. Por que a produtividade do trabalhador brasileiro é tão baixa (2015). Disponível em:<
https://www.fgv.br/professor/epge/ferreira/FerreiraFolha.pdf>. Acesso em: 20 set., 2021.
 
GOITIA, V. Brasileiro leva 1 hora para produzir o que americano faz em 15 minutos (2019). Disponívelem:<
https://economia.uol.com.br/noticias/redacao/2019/03/19/brasil-baixa-produtividade-competitividade-comparacao-outros-paises.htm>. Acesso em: 20 set., 2021.
 
LAFUENTE, E.; SZERB, L. Understanding resource-based competitiveness: competencies, business processes and alternative performance assessment. International Business Journal, vol. 31 no. 3, pp. 353-360, 2021.
 
WOOD JR., T. CALDAS, M. P. Empresas brasileiras e o desafio da Competitividade. RAE, vol. 47 • nº3, p. 66-78, jul./set. 2007.
 
Autora: 

Profª. Drª. Helenita R.da Silva Tamashiro
Professora e Pesquisadora na Fatec Sertãozinho