Considerado como profissional da área de saúde, pela resolução do Conselho Nacional de Saúde (CNS) nº 287 de 1998, o médico-veterinário, além de atuar nas áreas de clínica médica e cirúrgica de pequenos e grandes animais, produção e reprodução animal, também atua na área da saúde humana, por meio de sua sub-área denominada de medicina veterinária preventiva. A medicina veterinária preventiva é constituída pelas disciplinas de epidemiologia, doenças infecciosas dos animais domésticos, zoonoses e saúde pública, microbiologia e inspeção dos produtos de origem animal.

    Sendo assim, com o surgimento da Pandemia da COVID-19 causada pelo novo coronavírus Sars-Cov-2, o Ministério da Saúde lançou uma ação estratégica para o enfrentamento ao coronavírus denominada  “Brasil Conta Comigo – Profissionais da Saúde” que incluiu os médicos-veterinários, entre os profissionais que queiram atuar como voluntários nesse esforço nacional de enfrentamento à pandemia.

    Entre as diferentes ações do médico-veterinário para o enfrentamento da pandemia de COVID-19, podem ser observadas as ações já realizadas pelos profissionais que atuam nas secretarias municipais e estaduais de saúde, especificamente nas áreas de vigilância em saúde, seja esta vigilância ambiental, epidemiológica ou sanitária; ou ainda nas equipes de saúde na área de Atenção Básica ou Atenção Primária em Saúde.

    Na área de vigilância em saúde, os médicos-veterinários podem então atuar, na vigilância epidemiológica contribuindo para a notificação dos casos humanos, envio de dados ao Ministério da Saúde e investigação de óbitos, assim como orientar medidas de proteção e promoção da saúde humana na comunidade. Já na vigilância sanitária, o profissional é o principal responsável por zelar pela qualidade e higiene dos alimentos, bem como pela adequada manipulação desses alimentos até a chegada ao consumidor, por meio de fiscalizações nos estabelecimentos que comercializam alimentos, verificando e exigindo a qualidade em relação aos procedimentos higiênicos durante a manipulação dos alimentos e até mesmo o uso de equipamentos de proteção individual (EPIs) como luvas, máscaras e roupas adequadas pelos manipuladores de alimentos, assim como, por exemplo, a fiscalização se os trabalhadores em estabelecimentos comerciais, como caixas de supermercado, trabalhadores de padarias e açougues, estão utilizando os EPIs de forma correta e segura, visando sua própria saúde e a proteção dos demais consumidores que utilizam aquele serviço. Na área de vigilância ambiental, por exemplo, o profissional pode orientar e realizar o treinamento das equipes para a desinfecção de pontos estratégicos pela sua equipe, com produtos desinfetantes em pontos de maior aglomeração de pessoas, como por exemplo, paradas de ônibus, portas de agências bancárias, veículos utilizados para transporte público (metrô, ônibus), além de orientações a coveiros em cemitérios e desinfecção também nos cemitérios e proximidades de hospitais e centros de atendimento médico para pacientes com a COVID-19, além da orientação da população em relação às dúvidas sobre os animais de estimação, que apesar de alguns casos já diagnosticados na China, Estados Unidos e outros países, até o presente momento não se conhece o papel dos animais de estimação na transmissão da doença, porém são necessários alguns cuidados mínimos, durante o passeio com os  mesmos nas ruas e ao retornar para casa, sobre a higienização adequada.

     Na área de Atenção Primária em Saúde, ao atuar em conjunto com os outros profissionais de saúde e em parceria com as unidades de saúde, o médico-veterinário é responsável por esclarecer a população em geral, em vários locais do território em que elas vivem, sobre as principais formas de transmissão da doença e medidas de prevenção, como a necessidade do distanciamento social, o uso correto e a forma correta de higienização das máscaras, roupas e sapatos, ao retornar para casa após a saída por alguma eventual necessidade, assim como orientações gerais sobre os cuidados de higienização dos alimentos e outros produtos não-perecíveis adquiridos nas feiras e supermercados, assim como orientações sobre os cuidados mínimos e necessários com seus animais de companhia.

    Desta forma, o médico-veterinário também  é responsável por zelar e proteger a saúde da população humana, no enfrentamento à pandemia da COVID-19. 


Autoria:
Prof. Dr. Daniel Friguglietti Brandespim
Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE)